Saúde

Seringueiro do Acre supera lobomicose após 45 anos com tratamento gratuito do SUS

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

No interior do Acre, Augusto Bezerra da Silva, um seringueiro de 65 anos, viu sua vida transformada após décadas lutando contra a lobomicose, uma doença fúngica endêmica na Amazônia Ocidental. Diagnosticado aos 20 anos, por volta de 1981, ele sofreu com lesões faciais que o levaram ao isolamento social, mas melhorou significativamente ao ingressar no projeto Aptra Lobo, que oferece tratamento gratuito pelo SUS. Iniciado para atender populações ribeirinhas, povos originários e extrativistas nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia, o projeto aborda a falta de diagnóstico e tratamento eficazes para essa doença negligenciada.

A luta pessoal contra a lobomicose

A lobomicose, causada pela penetração de um fungo em lesões na pele, evolui para nódulos que podem desfigurar o rosto e o corpo. Augusto enfrentou mais de 20 anos de sofrimento antes de entrar no programa, onde recebeu itraconazol ajustado, biópsias, cirurgias e acompanhamento trimestral. Essa abordagem integrada permitiu a redução das lesões, melhorando sua qualidade de vida.

O problema que eu passei não foi fácil. Você, novinho, você se acha perfeito, sem defeito. Aí depois você tem que se isolar, sem ter como, para melhor dizer, ser liberto. Se colocar isolado com a idade de 20 anos, até perto da idade de 65 não é fácil mesmo.

Augusto Bezerra da Silva

Todos que botam os olhos em cima da gente perguntam o que é, sem você ter uma resposta a dizer. Não é fácil não. Ele pergunta: 'o que é isso?' E a gente sem saber responder. O destino é a vontade de se isolar para ninguém ver a gente.

Augusto Bezerra da Silva

O impacto do projeto Aptra Lobo na Região Norte

O projeto Aptra Lobo, uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein, capacita profissionais locais para captar pacientes, diagnosticar e tratar a doença de acordo com diretrizes específicas. João Nobrega de Almeida Júnior, envolvido no iniciativa, destaca que os profissionais regionais são essenciais para o sucesso. A doença afeta principalmente comunidades com pouco acesso à saúde, tornando o programa crucial para a Amazônia Ocidental.

São eles que captam os pacientes, fazem o diagnóstico e tratamento de acordo com as diretrizes criadas pelo projeto.

João Nobrega de Almeida Júnior

Avanços e perspectivas futuras

Em dezembro de 2025, o projeto lançou um manual pioneiro para auxiliar no diagnóstico e tratamento da lobomicose, marcando um avanço histórico para essa condição negligenciada. Um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) está previsto para 2026, prometendo expandir o alcance. Esses esforços visam reduzir o impacto da doença em pacientes como Augusto, promovendo inclusão e saúde equitativa na Região Norte do Brasil.

O manual é o primeiro documento para auxiliar no diagnóstico e tratamento da doença, sendo um grande marco para uma doença tão antiga e historicamente negligenciada.

João Nobrega de Almeida Júnior

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