Uma análise abrangente sobre saúde mental infantojuvenil no Brasil revela que mais de 15 milhões de crianças, adolescentes e jovens de 5 a 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental, com os transtornos de ansiedade como principal causa de incapacidade. O estudo, liderado pelo psiquiatra Christian Kieling da UFRGS e do Hospital Moinhos de Vento, foi publicado na The Lancet Regional Health – Americas e utiliza dados do GBD 2023 para estimar a prevalência por faixa etária, com foco principal em São Paulo e Rio Grande do Sul.
Alta prevalência e lacunas regionais
Os números destacam a urgência de políticas voltadas à identificação precoce e ao acesso ao cuidado. Kieling ressalta que os dados limitados refletem a falta de atenção à saúde mental dos jovens no país, mas as análises permanecem rigorosas mesmo com fontes restritas.
Esse volume limitado reflete e contribui para a falta de atenção à saúde mental dos jovens no Brasil. Mesmo com fontes limitadas, as análises são rigorosas. Precisamos de ação, imediatamente.
Christian Kieling
Desafios na transição de serviços
A pesquisa aponta diferenças significativas entre os sexos e a necessidade de estratégias específicas para jovens do sexo masculino. Kieling alerta ainda para os riscos do suicídio e a importância de evitar quebras abruptas no atendimento durante a adolescência.
É justo na idade em que o adolescente está tendo as maiores transições da vida que a gente diz para ele: agora não é mais aqui. Essa quebra não parece ajudar, parece até atrapalhar.
Christian Kieling
Os transtornos de ansiedade mudam de forma ao longo da vida, predominando quadros de separação na infância e ansiedade social na adolescência. O especialista defende que aguardar novos dados para agir seria um desserviço às crianças e adolescentes brasileiros.
