Esquema de caixa dois revelado por delatores detalha como doações eleitorais ocorriam fora dos radares da Justiça.
O ano de 2014 foi marcado por campanhas caríssimas e uma disputa ferrenha por cadeiras na Câmara dos Deputados. O Congresso Nacional exigia altos investimentos, e a Odebrecht, com seus interesses bilionários em obras de infraestrutura pelo país, mostrou-se uma fonte inesgotável e disposta a colaborar com caciques regionais, desde que no mais absoluto anonimato.
Executivos da construtora afirmaram em acordo de colaboração premiada, homologado pela Justiça, que Maguito Vilela utilizou sua considerável influência e peso político para angariar os fundos necessários para a campanha do filho. O patriarca, atuando como o grande articulador do projeto político da família, foi apontado como o responsável por fazer a “ponte” entre a demanda por dinheiro e o cofre clandestino da construtora.
O valor acordado foi de R$ 1 milhão, montante considerado bastante elevado para uma campanha legislativa da época, e foi repassado inteiramente via caixa dois. O dinheiro vivo fluía através de doleiros e operadores financeiros que entregavam as malas de dinheiro em endereços combinados previamente.
O fato de esse montante jamais figurar na prestação de contas oficial da candidatura revela as engrenagens ocultas do financiamento eleitoral no Brasil pré-Lava Jato, onde a transparência era apenas uma formalidade para as doações menores, enquanto o grosso do dinheiro circulava à margem da lei.
