Um pai brasileiro expressou choque ao tomar conhecimento do suicídio de uma menina de 13 anos transmitido ao vivo no Discord em Naviraí, Mato Grosso do Sul, no mês passado. Paulo Zsa Zsa, que usa pseudônimo, relatou como o caso reacendeu memórias dolorosas de quando sua filha Júlia enfrentou automutilação induzida por conteúdos nocivos na internet durante a pandemia de covid-19. A história ressalta os riscos do acesso irrestrito de crianças a plataformas digitais sem supervisão adequada.
O impacto da tragédia em naviraí
Paulo Zsa Zsa afirmou que ficou profundamente abalado ao saber dos detalhes do caso, pois sua própria filha passou por situação semelhante. Ele destacou que a vítima tinha idade próxima à de Júlia quando os primeiros sinais apareceram. O pai descreveu o momento em que descobriu os cortes no corpo da adolescente, ocultos sob uma blusa de proteção UV, após uma amiga alertá-lo.
Fiquei chocado, porque minha filha podia ter chegado a esse fim
Paulo Zsa Zsa
A influência do celular e das redes
Durante o confinamento, Júlia recebeu um celular que abriu acesso a desafios e interações prejudiciais no Discord e em outras plataformas. Paulo Zsa Zsa lembrou que a filha se sentia excluída socialmente na escola e encontrou no ambiente virtual um espaço de lazer que se transformou em fonte de sofrimento. Ele interveio ao confrontá-la diretamente sobre os ferimentos.
Eu não tinha a menor ideia de que o celular era uma porta aberta para esse inferno em que a nossa vida se transformou.
Paulo Zsa Zsa
A experiência levou o pai a alertar sobre a necessidade de maior atenção ao uso de dispositivos por menores, especialmente em períodos de isolamento. O caso de Naviraí reforça discussões sobre proteção infantil online no Brasil.
