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Toxoplasmose deve ser declarada doença tropical negligenciada pela OMS

A professora Justine Smith, da Flinders University: toxoplasmose recebe atenção limitada nas agendas globais de saúde — Foto: Flinders University
A professora Justine Smith, da Flinders University: toxoplasmose recebe atenção limitada nas agendas globais de saúde — Foto: Flinders University

Um novo artigo científico apela para que a toxoplasmose seja reconhecida como doença tropical negligenciada pela OMS, destacando sua capacidade de causar perda permanente de visão em milhões de pessoas ao redor do mundo. Especialistas de diferentes continentes alertam que a infecção por Toxoplasma gondii representa uma carga significativa de saúde pública, especialmente em comunidades com acesso limitado a cuidados médicos. O reconhecimento oficial permitiria maior financiamento para estratégias de prevenção e controle.

Transmissão e grupos mais afetados

A infecção ocorre principalmente pelo consumo de carne malcozida, alimentos ou água contaminados, além do contato com fezes de gato. A transmissão vertical durante a gravidez também é uma via relevante, colocando gestantes e seus bebês em risco. Idosos e populações em áreas com saneamento precário enfrentam maior vulnerabilidade, pois a doença pode permanecer latente e manifestar-se anos depois com complicações oculares graves.

Apelo por maior atenção global

João Furtado, professor da USP, e Justine Smith, da Flinders University, lideram o grupo de pesquisadores das Américas, Europa, África e Ásia que assinam o artigo. Eles ressaltam que a toxoplasmose causa grande impacto na visão, mas recebe pouca atenção e recursos. O reconhecimento como doença tropical negligenciada pela OMS abriria caminho para políticas públicas mais eficazes em todo o planeta.

A toxoplasmose é frequentemente vista como inevitável, mas possui vias de transmissão bem caracterizadas e pode ser evitada e controlada.

João Furtado

Benefícios do reconhecimento como doença negligenciada

Com o apoio internacional, seria possível ampliar campanhas de educação sanitária e melhorar o diagnóstico precoce. Especialistas afirmam que medidas simples de prevenção já existem, mas carecem de investimentos coordenados para alcançar populações em situação de maior risco. O artigo reforça que ações integradas poderiam reduzir significativamente os casos de cegueira evitável associados à infecção.

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