Uma pesquisa da Faculdade de Farmácia da UFRJ revelou que a proteína Spike do SARS-CoV-2 pode, por si só, desencadear dor persistente em camundongos mesmo após o fim da inflamação inicial. O trabalho, conduzido por professores e pesquisadores da instituição em parceria com a UNIVALI, UFRB, Fiocruz e King’s College de Londres, identificou que a administração isolada da Spike provoca hipersensibilidade duradoura dependente da proteína TLR4, de células de defesa e da citocina interferon-gama. Esses achados sugerem que o sistema de processamento da dor retém uma memória específica após a exposição à proteína viral.
Experimentos em camundongos mostram efeitos duradouros
Nos testes realizados, a Spike isolada gerou hipersensibilidade e dor persistente nos animais. Os pesquisadores observaram que o processo depende da ativação da TLR4 e da presença de interferon-gama, criando uma espécie de memória no sistema nervoso responsável pela percepção da dor. Essa memória permanece ativa mesmo depois que os sinais inflamatórios iniciais desaparecem, o que explica a continuidade do desconforto em modelos experimentais.
A colaboração entre as instituições permitiu analisar diferentes vias celulares e moleculares envolvidas na resposta à Spike. Os resultados reforçam que a proteína viral exerce efeitos diretos sobre o sistema de dor, independentemente da replicação viral completa.
Motivação baseada em observações clínicas e estudos anteriores
A investigação foi impulsionada pela experiência pessoal da pesquisadora Giselle Passos com dores persistentes após infecção por COVID-19, somada a estudos prévios do laboratório sobre déficits cognitivos induzidos pela Spike. Esses elementos orientaram o foco para entender como a proteína pode modular mecanismos de dor de forma prolongada. O estudo amplia o conhecimento sobre consequências pós-infecção e abre caminho para futuras análises em modelos mais complexos.
