A Fapesp anunciou a redução da duração das bolsas Bepe de 12 para 6 meses a partir de 1º de setembro de 2026, com exclusão inicial de bolsistas de iniciação científica e mestrado. Após forte reação da comunidade, a agência recuou e prometeu chamadas especiais para essas modalidades, mantendo o fluxo contínuo para doutorado e pós-doutorado. A medida busca equilibrar o orçamento entre bolsas e projetos de pesquisa.
Reação da comunidade e recuo da agência
A decisão inicial gerou críticas de entidades como a ANPG, representada por Gabryella Cardoso, que destacou o valor da experiência internacional mesmo em etapas iniciais da formação. Diante da repercussão, o Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp emitiu notas sucessivas e ajustou as regras. As alterações não reduziram o número total de bolsas, mas priorizaram estágios mais avançados.
Justificativa financeira por trás das mudanças
Entre 2023 e 2025, as despesas com bolsas alcançaram 60% do orçamento da Fapesp, após aumento de 73% no período. O governo do Estado de São Paulo, responsável pela agência, buscou corrigir o desequilíbrio entre apoio financeiro e investimentos em projetos. As novas chamadas especiais para iniciação científica e mestrado devem ser publicadas em breve.
Importante ressaltar que não houve corte no número de bolsas Bepe, mas alterações nos critérios de elegibilidade e na duração das mesmas. A mudança tem como base um entendimento de que esse apoio à realização de estágios no exterior deve privilegiar estudantes e jovens pesquisadores nos estágios mais avançados de sua formação acadêmica e científica.
Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da Fapesp
A justificativa que eles deram é que as bolsas de IC e mestrado não davam o retorno esperado, mas quando pensamos no retorno científico [da experiência acadêmica], muitas vezes o estágio é o objetivo final em si mesmo.
Gabryella Cardoso
