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Governo de Goiás repassa R$ 209 milhões a empresas ligadas ao PCC em esquema de lavagem

HOJE no Metrópoles: Governo de Goiás repassa R$ 209 milhões a empresas ligadas ao PCC em esquema de lavagem
HOJE no Metrópoles: Governo de Goiás repassa R$ 209 milhões a empresas ligadas ao PCC em esquema de lavagem

O governo de Goiás destinou R$ 209 milhões a empresas controladas por Thiago Telles Batista de Souza, apontado como beneficiário final de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, em contratos firmados entre 2020 e 2025 para o fornecimento de serviços a oito hospitais estaduais geridos pelo Instituto de Medicina e Estudos (Imed). A organização social recebeu R$ 1,4 bilhão do estado entre 2019 e 2025 e repassou parte desses recursos a fornecedores sob suspeita, sem que houvesse fiscalização efetiva sobre as origens dos valores. Investigações da Polícia Civil de São Paulo, iniciadas na Operação Falso Mercúrio em dezembro de 2024, revelam movimentações atípicas em espécie que visavam evitar o controle do Banco Central e do Coaf.

Esquema de lavagem sustenta contratos hospitalares

Thiago Telles, identificado pelas autoridades como elo final do fluxo financeiro abastecido por tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra consumidores, comandava empresas que atuavam como fornecedoras exclusivas do Imed. Intermediários realizavam depósitos e retiradas em espécie para manter as transações fora do radar dos órgãos de inteligência financeira. A Polícia Civil de São Paulo destacou que a presença de empresas sob forte suspeita de crimes no rol de contratadas pelo poder público representa grave risco institucional.

A ausência de mecanismos de controle permitiu que valores públicos financiassem indiretamente atividades ilícitas, expondo a fragilidade das contratações de organizações sociais em Goiás. Os contratos permaneceram vigentes até 2025, mesmo após o início das investigações.

Respostas oficiais não esclarecem origem dos recursos

Em nota, a Secretaria de Saúde de Goiás afirmou que a contratação de fornecedores pelas organizações sociais é de responsabilidade exclusiva da entidade gestora, não dependendo de autorização prévia da secretaria. O Imed, por sua vez, declarou que a relação com as empresas e pessoas mencionadas sempre ocorreu estritamente no âmbito profissional.

Agradeço a toda a minha equipe e, principalmente, à administração do Imed, que, como organização social, veio com o objetivo de mostrar que podíamos fazer bem e atender à população

Ronaldo Caiado

Ex-governador Ronaldo Caiado elogiou publicamente a gestão do Imed, enquanto a Polícia Civil de São Paulo alerta para os riscos de se terceirizar serviços essenciais sem rastrear a origem dos recursos movimentados.

Riscos institucionais expõem falhas na gestão estadual

O caso levanta questionamentos sobre a capacidade do estado de monitorar repasses bilionários a organizações sociais que, por sua vez, terceirizam serviços sem transparência adequada. A continuidade dos pagamentos até 2025, mesmo diante de indícios de irregularidades, evidencia uma supervisão insuficiente que pode ter permitido a infiltração de recursos de origem ilícita no sistema de saúde pública. As investigações seguem em andamento e novos desdobramentos foram divulgados em 28 de maio de 2026.

Fonte: metropoles.com

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