O lançamento do livro de bolso ‘Tuca – A cantora lésbica exilada da história’ resgata a trajetória de Valeniza Zagni da Silva, multi-instrumentista e arranjadora que enfrentou o apagamento de sua obra no Brasil. Escrito por Renato Gonçalves, o volume integra a coleção ‘Vidas sequestradas’ da editora O Sexo da Palavra e examina álbuns, parcerias e o impacto da ditadura militar sobre a artista.
Contribuições musicais e exílio em Paris
Tuca construiu parcerias relevantes com Nara Leão e Françoise Hardy durante o período em que viveu em Paris. O pesquisador Renato Gonçalves detalha como essas colaborações ampliaram o alcance de composições com discursos homoeróticos, ainda pouco reconhecidas no cenário nacional da época. O retorno ao Brasil na década de 1970 marcou o início de um processo de marginalização que limitou a circulação de seu trabalho.
Apagamento causado por gordofobia e ditadura
A biografia analisa os efeitos combinados da gordofobia e da repressão política sobre a carreira de Tuca. César Braga Pinto, organizador da coleção, destaca a importância de recuperar registros que documentam a produção da cantora em São Paulo e no exterior. O livro oferece um panorama factual que permite compreender as razões do silenciamento de sua discografia após o exílio.
Resgate da memória artística
Renato Gonçalves reúne fontes primárias para reconstruir a atuação de Tuca como pioneira em temas pouco explorados na música brasileira. A publicação busca restabelecer o lugar da artista no debate cultural contemporâneo sem alterar os dados históricos disponíveis. Leitores interessados em biografias de figuras marginalizadas encontram no volume uma fonte organizada e acessível.
